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quinta-feira, 27 de abril de 2017

mortes coletivas virsao espirita

Divaldo Franco responde sobre tragédias coletivas

MICROCEFALIA,VISÃO DA DOUTRINA ESPÍRITA.

Os diversos casos de microcefalia que está ocorrendo por todo o Brasil, e com mais intensidade no Nordeste, e os números cada vez mais aumentando. Nos faz indagar: por que isto está acontecendo?

Para nós espíritas isto não é por acaso. Na visão da Doutrina Espírita esta situação enquadra-se nas chamadas provações coletivas, é um resgate coletivo. São espíritos que trazem necessidade de provas ou expiações semelhantes, nisto são atraídos a lugares ou situações, onde graves desequilíbrios destes espíritos são tratados em conjunto. Sobretudo nas doenças, chamadas de congênitas, que a criança já traz ao nascer, não se pode atribuir ao acaso ou a má sorte elas passarem por esta situação.

Há casos também em que esses espíritos reencarnam com este problema para ajudar os familiares a desenvolverem boas qualidades, a terem mais paciência, para desenvolver o cuidado pelo próximo, a compaixão, a generosidade...

O Espiritismo nos esclarece que estamos num mundo de efeitos, de consequências, onde percebemos que na reencarnação encontra-se o “por que” para compreendermos o que está ocorrendo, as causas e as consequências.

Nas questões 132 e 133 de O Livro dos Espíritos, encontramos os seguintes esclarecimentos: Que Deus impõe a encarnação com o objetivo de fazer os espíritos chegarem a perfeição. Para alguns a encarnação é uma expiação, para outros é uma missão. Todavia, para alcançarem essa perfeição, devem suportar todas as vicissitudes da existência corporal; nisto é que está a expiação. (...)
Todos nós necessitamos de reencarnarmos, pois todos nós fomos criados simples e ignorantes; instruímo-nos nas lutas e nas tribulações da vida corporal. Deus, que é justo, não poderia fazer a alguns felizes, sem dificuldades e sem trabalho e, por conseguinte, sem mérito. Os espíritos que seguem o caminho do bem alcançam mais depressa o objetivo. Aliás, as dificuldades da vida, frequentemente, são consequências da imperfeição do espírito; quanto menos tenham de imperfeição, menos tem de tormentos. (...)

Estamos vivenciando um momento crucial no progresso do planeta Terra, e no nós progresso. Esta é a encarnação que melhor nos preparamos através das outras encarnações. É a grande chance e a grande oportunidade para nos tornamos indivíduos melhores. E para esses espíritos que nasceram com o corpo físico com microcefalia é uma grande oportunidade de reajuste de dividas passadas, é uma reencanação impar para eles, mesmo que seja por breve instantes, ou pela experiência de passar por isso, ou que vivam por anos; tanto para eles como para os familiares .

Sabemos que a Terra está passando pela mudança de uma Era para outra, deixando o mundo de Provas e Expiações para o mundo de Regeneração. Tudo que estamos vivenciando seja desencarnes coletivos, seja reencarnações de resgate coletivo, é para acelerar o processo de quitação de divida do mundo em estagio de Provas e Expiações, pois não se pode chegar um novo estagio moral na Terra com as dividas e os sofrimentos atuais. Só irão ficar na Terra os espíritos que assumirem o compromisso com o bem, espíritos com a moral adequada para habitar o mundo em estagio evolutivo de Regeneração. Por isso que as dividas tem que serem pagas, e por isso que está havendo esse aceleramento para o pagamento dos débitos desses espíritos, e tudo isso acontecendo por meio da Lei de Causa e Efeito, da ação e da reação.

Assim, os débitos de vidas anteriores que tal espírito contraiu e acarretou tal deficiência, é sanado com essa atitude de encarnar com a microcefalia. Décadas atrás a incidência de casos de deficiência física era muito grande, e se apresentando de diversas formas as deficiências físicas, atualmente os espíritos estão nascendo com doenças emocionais, psíquicas, é a mente que está sofrendo atualmente. Tendo diminuído os casos de deficiência física, pois os espíritos que precisavam passar por tais circunstancias já terem quitado tal divida, contraída por erros em vidas passadas. É por isso que esta é a grande chance, quem sabe uma das ultimas chamadas para esses espíritos quitarem suas dividas e a dos seus familiares por meio da microcefalia.

Deus sempre Escreve Certo e Seu Amor e Justiça nunca falham. Temos que entender que os espíritos desses bebês, são espíritos que já viveram muitas outras vidas, com erros e acertos. Os aspectos espiritual por trás desta situação é que são espíritos que precisam passar pela experiência da microcefalia, é como se fosse um processo de cura para os dificuldades espirituais desses espíritos.

Que as mães não aborte esses bebês de forma alguma, porque se houver um caso na família de microcefalia é porque a família necessita desta experiência para desenvolver boas qualidades. Porque se haver de nascer na família um bebê com alguma deficiência física é necessidade da família e do bebê. A família tem que se doar, porque tudo tem uma razão de ser. É a Justiça Divina atuando, mesmo que não compreendemos atualmente, para que alcancemos a luz.

Que as mães, os pais e os familiares agradeçam a Deus por esta oportunidade bendita, por receber estes espíritos sofredores, que vão precisar dos seus pais, responsáveis, familiares, de todo o amor, carinho, da servidão, para se dedicarem a estes espíritos, dando condição a eles de cura para o espírito, através desta oportunidade. Quando servimos crescemos. É um crescimento mútuo, para os pais e para o filho, muitos casos podem ser resgates de dividas dos pais com os filhos de outras vidas, outros casos os bebês podem assim nascer para sensibilizar os pais e familiares, e outros podem ser a necessidade do espírito de nascer desta forma e os pais os acolherem para o ajudar, sem os pais terem cometido erros com eles no passado, isto estabelecido no plano reencarnatório antes dos pais e filhos nascerem.

Que esses casos sirvam para a sociedade em geral, para sensibilizar-nos e nos voltarmos mais para o bem, para o amor, para a caridade... Uma nova era está chegando, e temos que cada dia sermos pessoas melhores. O tempo urge, e os trabalhos estão sendo acelerados. Colhemos o que plantamos isto através dos séculos, isto é a lei de causa e efeito, ação e reação. Mas, sobretudo, confiemos em Deus Pai. E nos ensinos de Mestre Jesus, pois Ele afirmou: “Das ovelhas que meu Pai me confiou, nenhuma se perderá.”

“Estamos certos de que Deus age em todas as coisas com o fim de beneficiar todos os que o amam, dos que foram chamados conforme seu plano.“ (Romanos 8:28)

http://jardim-espirita.blogspot.com.br/

BOATE KISS O ESPIRITISMO EXPLICA O INCÊNDIO

O ESPIRITISMO EXPLICA O INCÊNDIO À BOATE KISS
 Luiz Carlos Barros Costa

          A Doutrina Espírita tem fundamentos filosóficos para explicar a causa de acontecimentos tão impressionantes como esse ocorrido em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, às 2h30 do dia 27 de janeiro de 2013.

          Deus não é soberanamente justo e bom? Não cai uma folha da árvore sem que seja da Vontade Dele? Ora, um incêndio dessas proporções, permitido por Deus (pois se fosse da vontade Dele seria evitado), deve ser justo e deve ser bom. Caso contrário não seria soberanamente perfeito.

          Deus é Justo, pois as vidas sucessivas ou reencarnação são a grande chave do enigma desse incêndio.

          Os jovens vitimados nesse incêndio são filhos de Deus. Estão sob a ação de uma lei da física: a cada causa um efeito consequente e a cada efeito, uma causa antecedente: “A cada um segundo as suas obras” – Lucas XII: 47-48.

          O Deus que conhecemos na doutrina espírita é antes de tudo Pai, amoroso, incapaz, por isso mesmo, de cometer atos ofensivos aos filhos amados. Esses jovens desencarnados, numa festa comum à juventude, estão sob a ação infalível da Lei de causa e efeito que se faz presente de forma inequívoca.

          Todos os nossos irmãos que pereceram pelo efeito devastador das citadas catástrofes coletivas, carregavam consigo sérias culpas, hauridas nas vidas passadas, ajustando-se, agora, com a lei divina. Perdoados por Deus, mas não limpos. Agora estão limpando suas consciências, pois Deus é amor (João 4:8).

          Esses jovens iniciam nessas horas o sublime do resgate libertador. Fora desse raciocínio, Deus teria falhado em permitir mortes coletivas de seus filhos encarnados, ainda na quadra juvenil.

          Um dos livros da codificação de Allan Kardec, Obras Póstumas, traz esclarecimentos importantes ao tema das mortes coletivas, na segunda parte da obra, no capítulo que enfoca as expiações coletivas, assinados pelo Espírito de Clélie Duplantier.
          Em resumo, esse Espírito ensina que as pessoas que possuem uma tarefa comum, na existência terrena, já viveram nas mesmas funções ou atividades e se encontrarão juntos no futuro. Para tanto, precisam passar pelas expiações, juntas, para limpar o passado de erros.

          Continua o Espírito Duplantier.

          Há muita justiça nas expiações vividas. Elas não correspondem aos atos registrados na atual vida terra (no caso presente, na vida conhecida das vítimas do incêndio de Santa Maria).

          As vítimas de hoje, são almas culpadas nas condutas ignotas de outras vidas.

          O que seria incompreensível com a justiça de Deus, caso tivessem apenas esta vida terrena, teoria da unicidade das existências.

          Com a lei de causa e efeito e com as vidas sucessivas, Deus passa a ser reconhecido como soberanamente justo e bom, por desejar o melhor para seus filhos: sua pureza.

          Esses jovens desencarnados de forma tão brutal, estão ligados pelos laços fraternais de hoje, pelas condutas de ontem, para a libertação de suas consciências no futuro.

          A mensagem de Emmanuel elucida as dúvidas mais profundas sobre o incêndio de Santa Maria. Na pergunta formulada a Emmanuel, Francisco Cândido Xavier, com as suas abençoadas mãos, assim documentou:

Como se processa a provação coletiva?

Resposta:

          “Na provação coletiva verifica-se a convocação dos Espíritos encarnados, participantes do mesmo débito, com referência ao passado delituoso e obscuro. O mecanismo de justiça, na lei das compensações, funciona então espontaneamente, através dos prepostos do Cristo, que convocam os comparsas da dívida do pretérito para os resgates em comum, razão porque, muitas vezes, intitulais “doloroso caso” às circunstâncias que reúnem as criaturas mais díspares no mesmo acidente, que lhes ocasiona a morte do corpo físico ou as mais variadas mutilações, no quadro dos seus compromissos individuais.”
          O infausto acontecimento do dia 27 de janeiro de 2013, no incêndio à Boate Kiss, foi projetado como questões aos ensinamentos dos Espíritos às questões de Allan Kardec, contidos em O Livro dos Espíritos, item II – Flagelos Destruidores.

          Dessa forma as questões foram adaptadas à tragédia para sua melhor compreensão, principalmente aos leitores que não dominam alguns termos espíritas. As respostas foram igualmente formatadas visando mais fácil entendimento do grande público, com sérias dúvidas sobre as causas que desencadeiam efeitos tão devastadores.

          1 - Qual a finalidade de Deus castigar a Humanidade com incêndios dessas proporções?
          Os Espíritos responderam a Allan Kardec que fatos como esses fazem com que a Humanidade avance mais depressa. Destruições como essas são necessárias para que se processe a regeneração moral dos Espíritos. Em cada existência terrena os Espíritos buscam um novo aperfeiçoamento.
          Não se pode julgar um fato tão infeliz como esse do ponto de vista pessoal terreno. Essas ocorrências seriam oportunidades divinas para a produção de uma ordem moral melhor. O que levaria séculos se realiza em curto espaço temporal.

          2 - Não haveria outro meio para melhorar a Humanidade?
          Deus emprega vários meios para melhorar a Humanidade. Cada filho de Deus tem condições de progredir ao bem e ao mal, pelo desenvolvimento do seu conhecimento.
          O homem, porém, não aproveita esses meios. Deus permite, dessa forma, alguns sinistros eventos como o incêndio de Santa Maria, para castigar os filhos orgulhosos e fazê-los sentir a própria fraqueza.

          3 - Entre as vítimas do incêndio de Santa Maria não haveria um grupo de homens de bem que estaria entre os que deveriam morrer?
          A vida corporal é nada, diante da grandeza da vida espiritual. Um século do mundo terreno é como um relâmpago na Eternidade. Os sofrimentos que duram alguns dos nossos meses ou dias, nada são. O mundo real é constituído dos Espíritos que preexistem e sobrevivem ao mundo material.
          Os homens são filhos de Deus. Os corpos são apenas os seus instrumentos de vivência na Terra. Perdem os corpos como se fossem uniformes estragados dos soldados nas guerras que participam. O general se preocupa mais com os soldados do que com as suas vestes.

          4 - Os que morreram nesse incêndio não são vítimas?
          A vida terrena é muito insignificante diante do infinito. As vítimas que agora comovem o mundo terão vida, após esta vida, e ganharão oportunidades de voltarem a Terra, com larga compensação para os seus sofrimentos, se souberem suportá-los sem lamentar.

          4 a - Comentário de Kardec:
          Quer a morte se verifique por um flagelo ou por uma causa ordinária, não se pode escapar a ela quando soa a hora da partida: a única diferença é que no primeiro caso parte um grande número ao mesmo tempo.
          Se pudéssemos elevar-nos pelo pensamento de maneira a abranger toda a Humanidade numa visão única, esses flagelos tão terríveis não nos pareceriam mais do que tempestades passageiras no destino do mundo.

          5 - Esse incêndio possui alguma utilidade pelos males que ocasionou?
          O bem que dele resulta só será sentido nas gerações futuras.
          6 - Esse incêndio seria uma prova moral para os que morreram?
          Esse incêndio é uma prova para os homens exercitarem a paciência e a resignação perante a vontade de Deus. Também permite que sejam desenvolvidos os sentimentos de abnegação, de desinteresse próprio e de amor ao próximo.

          7 - É possível o homem evitar essas ocorrências tão ofensivas.
          Muitos flagelos são originários da imprevidência humana. Conforme o homem na Terra vá adquirindo conhecimentos e experiências, poderá evitar essas ocorrências tão ofensivas.
          Com a evolução moral do homem poderá ocorrer prevenções eficazes, como se soubesse, futuramente, prevenir situações de repercussão tão grave, pesquisando-lhes as causas.
          Mas entre os males que afligem a Humanidade, há os que são de natureza geral e pertencem aos desígnios da Providência.

          Desses, cada indivíduo recebe, em menor ou maior proporção, a parte que lhe cabe, não lhe sendo possível opor nada mais que a resignação à vontade de Deus. Mas ainda esses males são geralmente agravados pela indolência do homem.

          Que as nossas preces emocionadas sejam contínuas e intensas aos nossos irmãos que retornaram ao mundo espiritual, com as consciências mais calmas e, quiçá, resignadas.





Dr.Luiz Carlos Barros Costa (Fernandopolis/SP) é  membro da Rede Amigo Espírita, é Delegado Regional de Polícia aposentado,Vice Presidente e Diretor de Doutrina da Associação Espírita “Missionários da Luz", Presidente da Use Intermunicipal Espírita de Fernandópolis - SP, Professor do Curso de Direito na Unicastelo : Universidade Camilo Castelo Branco de Fernandópolis - SP, Divulgador e Expositor da Doutrina Espírita.
e-mail: lubacosta@terra.com.br

A Morte na Visão do Espiritismo - Alexandre Caldini

A Morte na Visão do Espiritismo - Alexandre Caldini



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Morte na visão do Espiritismo

O Significado da Morte e o Processo de Luto na visão do Espiritismo

“Na vida, não vale tanto o que temos, nem tanto importa o que somos. Vale o que realizamos com aquilo que possuímos e, acima de tudo, importa o que fazemos de nós! ” (Chico Xavier)
Quando falamos sobre a morte, é importante compreendermos como cada indivíduo, como a sociedade em que ele está inserido e como a religião que ele professa, a compreendem. A crença religiosa professada pelo indivíduo é muito importante, pois é por meio dessa crença que ele fará a interpretação deste advento.
Dando continuidade aos posts sobre a compreensão da morte em determinadas religiões, abordaremos neste post o Espiritismo. Exploraremos como os fiéis dessa religião se relacionam com a realidade da morte e buscaremos compreender o significado de seus rituais.
No século 19, um fenômeno agitou a Europa: as mesas girantes. Tal fenômeno chamou a atenção de Hippolyte Léon Denizard Rivail um pesquisador, pedagogo e educador discípulo do célebre Johann Pestalozzi. Rivail, fluente em diversos idiomas, autor de livros didáticos e adepto de rigoroso método de investigação científica não aceitou de imediato os fenômenos das mesas girantes, mas estudou-os atentamente, observou que uma força as movia e investigou a natureza dessa força, que se identificou como os “Espíritos dos homens” que haviam morrido. A partir daí passou a estudar metodicamente os fenômenos, observando, comparando, analisando e concluindo sobre todas as experiências de que participava formando um conjunto de mais de cinquenta cadernos de relatos. Por ser algo extraordinário, vários periódicos na Europa e inclusive alguns periódicos brasileiros na época também noticiaram o fenômeno – tais como: “O Jornal do Comércio – Rio de Janeiro” e “Diário de Pernambuco”.
Rivail fez centenas de perguntas aos espíritos, analisou as respostas, comparou-as e codificou-as. Ao concluir que as respostas obtidas continham profundo sentido lógico, o estudioso publicou em 1857 o “Livro dos Espíritos“. O livro foi publicado sob o pseudônimo de Allan Kardec visto que o professor Rivail não achava justo publicar algo que não era dele, mas que provinha do ensinamento de pessoas que já haviam falecido. No ano seguinte fundou a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas e editou a Revista Espírita. Em 1859 publicou “O que é o Espiritismo/“, em 1861, o “Livro dos Médiuns“, em 1864 “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, em 1865 “O Céu e o Inferno“, e em 1868 “A Gênese“. Portador de uma lesão grave no coração, Rivail morreu em 31 de março de 1869, aos 65 anos de idade.
A história do Espiritismo no Brasil, segundo alguns registros, inicia-se no ano de 1845. No distrito de Mata de São João, na então Província da Bahia, teriam sido registradas as primeiras manifestações. Consta nos anais do Espiritismo que a primeira sessão espírita aconteceu em 1865, em Salvador, no Grupo Familiar do Espiritismo e foi coordenada por Luís Olímpio Teles de Menezes. Em 1884, foi criada a Federação Espírita Brasileira. O trabalho de reconhecimento feito pela FEB tratava de sistematizar as práticas e doutrinas consolidadas pela nova religião. Em 1931 o espírito de Emmanuel se apresenta ao médium Francisco Cândido Xavier. Por meio de suas obras psicografadas, Chico Xavier, como era conhecido, foi um dos maiores disseminadores da doutrina espírita no Brasil. Hoje o Brasil é uma das maiores nações espíritas do mundo.
Espiritismo
O Espiritismo possui três princípios fundamentais: a imortalidade da alma, a possibilidade de nos comunicarmos com os mortos e a reencarnação. De acordo com os pressupostos do Espiritismo a morte é um momento em meio a um caminho infinito. A morte é uma transformação e não um ponto final, não é o fim. Quando uma pessoa morre os espíritas utilizam a palavra desencarnação, que é justamente a separação do espírito de seu corpo físico. Morrer é continuar vivendo em outra dimensão – a espiritual – com os sentimentos adquiridos, com a visão espiritual expandida, com os amores, as alegrias e saudades do ser, mas também com as imperfeições que não se conseguiu superar.
Para compreendermos um pouco sobre os ritos de passagem do Espiritismo, eu tive a honra de entrevistar a Psicóloga Claudia Mandato Gelernter, adepta da doutrina Espírita, sobre questões que permeiam este tema. Abaixo seguem os principais pontos da entrevista.
Como os espíritas compreendem a morte? Qual o seu significado?
O Espiritismo traz uma mensagem capaz de amenizar as angústias relacionadas à morte, uma vez que encontramos em seus preceitos básicos a informação de que todos somos almas imortais, reencarnantes neste planeta, com o propósito de evolução individual e coletiva. Ademais, através de sua ciência e filosofia, traz evidências robustas de que aqueles que se amam tornam a se encontrar, seja no mundo espiritual ou mesmo no físico, em novas experiências no corpo. Desta forma, a morte nada mais é que a finalização de mais um ciclo, uma passagem para outro estado, outra dimensão. A alma continua viva, mas livre, mantendo sua identidade, dando continuidade ao seu processo de aprendizagem, em constante relação com outros seres.
Entretanto, devemos levar em conta que mesmo os Espíritas são herdeiros de uma cultura de negação da morte, no Ocidente, e muitos, embora consolados por estas informações, não lidam de forma apropriada com o tema em questão, deixando de dialogar a respeito nas mais variadas oportunidades, ou mesmo sem ter recursos apropriados para darem conta das inúmeras demandas que surgem durante o próprio processo de morrer ou o de pessoas significativas.
Quais são os ritos de passagem do mundo material para o mundo espiritual?
Para os Espíritas não existem ritos, sacramentos, posturas específicas, livros sagrados, roupas especiais, etc. Acredita-se que estes instrumentos não são necessários, mas sim a prece feita com o coração, concentrada e amorosa. Entretanto, os velórios são realizados, tanto para acolhimento dos amigos e parentes, mas também, e principalmente, para que a alma que está desencarnando possa receber as homenagens, sejam elas através de palavras ou em forma de bons pensamentos e orações.
Qual a visão do Espiritismo sobre o mundo espiritual?
O mundo espiritual vibra em outra dimensão, mais etérea, portanto não perceptível ao olho comum. Os Espíritos que deixam a Terra partem para este outro lugar, passando a atuar nele. Embora o Livro dos Espíritos – obra básica da Doutrina – não trate especificamente sobre detalhes do mundo espiritual, é através das obras psicografadas por médiuns do mundo todo [mas principalmente por brasileiros, uma vez que o Espiritismo foi amplamente difundido em nosso país], que podemos observar as muitas nuanças deste lugar. Segundo a natureza das almas que para lá partem, formam-se espaços específicos, de acordo com aquilo que emanam de suas mentes. Lemos descrições de cidades inteiras, organizadas tanto para acolhimento e realização do bem, mas também algumas outras de baixa vibração, onde as inteligências se reúnem por suas más tendências. Além destes lugares, são narrados outros, como o “umbral” – local onde os desencarnados ficam por determinado tempo a fim de dissiparem os restos de fluido vital que trazem da última encarnação.
Por que a reencarnação é um dos princípios fundamentais para o espírita?
Segundo a filosofia espírita, se acatamos a existência de Deus (um Ser obviamente perfeito, senão deixaria de ser Deus), seja através da observação de Seus efeitos, -pela Inteligência percebida em Sua obra – ou por um exercício de fé, o preceito da reencarnação é o único capaz de explicar as inúmeras discrepâncias sociais existentes, sendo também instrumento eficaz para a tendência evolutiva dos seres e do Universo.
Como explicar a existência de um Deus soberanamente bom e amoroso se sabemos de tantos sofrimentos entre crianças e pessoas genuinamente boas? Só a reencarnação, com a Lei de ação e reação, pode nos ajudar na compreensão desta realidade.
Vale salientar, mais uma vez, que é através das inúmeras reencarnações que a alma vai aprendendo os saberes necessários – tanto os de ordem intelectual como moral, extirpando de si as tendências ruins, construindo virtudes.
Os adeptos do Espiritismo podem ser cremados?
Sim. Apenas pede-se que, para isso, respeite-se um tempo mínimo de 72 horas. Como disse acima, no momento da morte nem sempre todos os laços que prendem a alma ao corpo já estão desfeitos, sendo por vezes preciso algum tempo para este processo ser finalizado.
Dentre os rituais ligados à morte o que os familiares fazem com os pertences da pessoa que morreu?
Se são pessoas espiritualmente maduras, doam tais pertences, após algum tempo do desencarne. Nem todos os que partem deste mundo estão bem preparados para a morte do corpo. Muitos se prendem demasiadamente às coisas materiais. Desta maneira, sempre é interessante que se aguarde algum tempo antes de se doar os pertences daquele que partiu.
Como é vivenciado o processo de luto pelos familiares e amigos?
Embora com maiores chances de se sentirem consolados pelos preceitos da Doutrina que abraçam, neste difícil momento, os Espíritas tendem a elaborar seus lutos junto aos amigos e familiares de forma parecida com a dos seguidores de outras religiões cristãs: os lamentos e conversas giram em torno do evento, do morto, as saudades são sentidas, os resultados discutidos, até que a vida finalmente volta ao normal, com as atividades de cotidiano sendo retomadas.
Talvez o tempo desta elaboração seja reduzido devido à filosofia que seguem, assim como o sofrimento associado.
Não sei se existem estudos a respeito, porém acredito que os seguidores do Espiritismo apresentam menor incidência de lutos complicados.
Compreender a linguagem simbólica das religiões é de suma importância para que possamos oferecer um melhor cuidado aos nossos pacientes, principalmente os pacientes que estão hospitalizados e/ou em final de vida.
Nazaré Jacobucci
Psicóloga Especialista em Luto
Psychotherapist Member of British Psychological Society
Este post teve a colaboração de Claudia Mandato Gelernter, Psicóloga, Espírita, Tanatóloga, Docente na Pós Graduação de Pedagogia Espírita com ênfase em Educação para a Morte e Terapeuta Pedagógica. 
Casada e mãe de dois filhos, atua no meio Espírita faz 29 anos, sempre dentro da área de divulgação e mediunidade. É sócia fundadora da ABRATA – Associação Brasileira de Tanatologia e do CEAK Vinhedo.
Dentro do meio Espírita, Claudia defende a observância dos preceitos Kardequianos, sendo árdua defensora de seus ideais. Costuma desenvolver um olhar critico em suas palestras e textos, com viés sócio-histórico, além de levar em conta questões psicológicas, sociológicas e antropológicas. Para ela, nada mais complicado que um fazer distanciado da coerência filosófica adotada.
Também atua no ensino inter-religioso, observando a necessidade de um olhar mais amplo sobre as teorias de sabedoria existentes no mundo, buscando suas convergências, diminuindo preconceitos e sectarismos.
Dentro da área tanatológica, Claudia defende um diálogo aberto e racional sobre a morte e seus processos, como único meio de minimizar angústias e promover a possibilidade de fechamentos saudáveis.

Referências:
Federação Espirita Brasileira. A História do Espiritismo. 21.06.12
http://www.febnet.org.br/blog/geral/o-espiritismo/historia-do-espiritismo/
História do espiritismo no Brasil. Pesquisa.
https://unificacaofergs.files.wordpress.com/2014/08/histc3b3ria-do-espiritismo-no-brasil.pdf
Sociedade Brasileira de Estudos Espíritas. História do Espiritismo.
http://www.sbee.org.br/historia-do-espiritismo/doutrina-dos-espiritos/espiritismo/historia-do-espiritismo
Sousa R.G. Espiritismo no Brasil. Brasil Escola.
http://brasilescola.uol.com.br/religiao/espiritismo-no-brasil.htm

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domingo, 23 de abril de 2017

MENSAGEM DO FUTURO 2057 !! Será VERDADE??





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